Leitura e Realidade Brasileira
Autor: Ezequiel Theodoro da Silva.
Ed.Mercado Aberto 5ºedição.
Peguei este livro despretensiosamente na biblioteca e foi um tapa na cara. Principalmente por que depois de ler algumas páginas e percebi o quanto seu conteúdo se encaixa ao momento atual, abri a contra-capa e vi que a primeira edição é de 1983! Constatar que pouca coisa mudou de lá pra cá em torno de tudo que envolve leitura (escola, educação, políticas públicas educacionais, sociedade etc etc etc...) foi angustiante. As várias "reflexões' que o autor apresenta neste livro continuam atuais (infelizmente) . Com uma linguagem direta, o autor aponta vários problemas em torno da questão da leitura em nosso país, que passa pelas escolas, pela formação dos professores , pelas famílias, pela existência incipiente de nossas bibliotecas, pelos cursos de formação... Cada artigo apresenta uma crítica afinada de erros disseminados, práticas infelizes, realidades que interferem no processo de leitura e sua prática, que nos aponta como fracassamos socialmente (e, diga-se de passagem, repetidamente) com a leitura em nosso país. O livro é mais do que um belo convite ao debate da problemática da leitura, incomoda sua leitura e devia incomodar mais, mas infelizmente não vejo seguimento, preocupação pela sociedade com esta problemática. Mas só para lembrar, se hoje temos analfabetos digitais, é porque antes desta etapa, temos analfabetos funcionais.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Analfabetismo_funcional
Segundo dados de 2005 do IBOPE [1][2], no Brasil o analfabetismo funcional atinge cerca de 68% da população (30% no nível 1 e 38% no nível 2). Somados esses 68% de analfabetos funcionais com os 7% da população que é totalmente analfabeta, resulta que 75% da população não possui o domínio pleno da leitura, da escrita e das operações matemáticas, ou seja, apenas 1 de cada 4 brasileiros (25% da população) é plenamente alfabetizado, isto é, está no nível 3 de alfabetização funcional.
Em 2012, o Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa divulgaram o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) entre estudantes universitários do Brasil e este chega a 38%[3], refletindo o expressivo crescimento de universidades de baixa qualidade durante a última década.
Esses índices tão altos de analfabetismo funcional no Brasil devem-se à baixa qualidade dos sistemas de ensino público, à falta de infraestrutura das instituições de ensino (principalmente as públicas) e à falta de hábito e interesse de leitura do brasileiro. Em alguns países desenvolvidos e/ou com um sistema educacional mais eficiente, esse índice é inferior a 10%, como naSuécia, por exemplo. [4]
